sábado, 17 de junho de 2017

Não ameis o mundo... 1Jo 2. 15-17


De que tipo de mundo João está falando? Há três significados diferentes no Novo Testamento para a Palavra Mundo:

1. O mundo físico, o universo – “Deus que fez o mundo e tudo que nele existe” (At. 17.24)

      2.    O mundo humano, a humanidade – “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. João 3.16

3.       O mundo sistema, inimigo de Deus – “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo” 1 Jo. 2.15

É desse último que João está falando. Devemos amar o mundo como sinônimo de natureza e o mundo como sinônimo de pessoas; porém, o mundo como sinônimo de sistema, esse não podemos amar.

O termo grego “Kosmos” é definido por William Barcklay como a sociedade pagã com seus falsos valores, sua falsa maneira de viver e seus falsos deuses. O Kosmos é o sistema de satanás que se opõe à obra de Cristo na Terra. O mesmo João diz que "o mundo jaz no maligno" (1 Jo. 5.19), e o próprio Jesus chamou satanás de “o príncipe deste mundo” em Jo. 12 31.

O mundo é qualquer pessoa, relacionamento, estrutura social, circunstâncias ou situações que não foram redimidos pela Graça de Deus. O mundo é a sociedade independente de Deus, governo sem a linha do prumo de Deus, sistemas econômicos que não tem a soberania de Deus, indústrias e corporações sem interesse pelas pessoas ou pelos propósitos divinos.

As pessoas não salvas pertencem a esse sistema do mundo. Elas são filhas do mundo. Este mundo não conheceu a Cristo nem conhece a nós. Esse sistema odiou a Cristo e odeia a Igreja. Esse sistema do mundo não é o habitat natural do crente.

Nossa cidadania está no céu - Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo.”  Fp. 3.20.

Estamos no mundo, mas não somos do mundo  - Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia.”  Jo. 15.15.

Estamos no mundo, mas o mundo não deve estar em nós, assim como a canoa está na água, mas a água não deve estar nela.

O sistema do mundo usa três armadilhas para derrubar o cristão: a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida.

Concupiscência da Carne

A carne fala daquelas tentações que nos atacam de dentro para fora. São desejos sórdidos. É o apelo para se viver o prazer imediato. É endeusar os prazeres puramente físicos e carnais. É viver sob o império dos sentidos.

A concupiscência da carne simboliza a vida dominada pelos desejos, com pouco respeito por nós mesmos e por outras pessoas, a ponto de usá-las como coisas.

A carne é a nossa natureza caída. São os impulsos e os desejos que gritam para ser satisfeitos. Estes desejos estão dentro do nosso coração. Segundo Augustos Nicodemus, a carne se refere aos desejos impuros, que incluem todos os pensamentos, palavras e ações não castos: fornicação, adultério, estupro, incesto, sodomia e demais desejos não naturais, quer à intemperança no comer e no beber, motins, arruaças e farras, bem como todos os prazeres sensuais da vida, que gratificam a mente carnal e pelos quais a alma é destruída e o corpo, desonrado.

Na idade média pessoas tentaram fugir dos desejos da carne se isolando em mosteiros, mas em nada resolveram o problema. Descobriram que o pecado não está apenas do lado de fora, mas está, sobretudo, do lado de dentro, em nosso coração. O sistema do mundo é a vitrine que busca satisfazer os desejos da carne.

A questão é quem está no controle de nossas vidas: O Espírito ou a carne, pois até coisas boas em si mesmas podem ser pervertidas quando nos controlam: comer não é um mal, mas a glutonaria sim. O sexo não é um mal, mas a imoralidade sim. O sono não é um mal, mas a preguiça sim... Quem controla você?

Concupiscência dos olhos

A concupiscência dos olhos são as tentações que nos atacam de fora para dentro. Aqui, falamos da tendência a deixar-nos cativar pela exibição externa das coisas, sem investigar os seus valores reais.

William Barclay diz que a concupiscência dos olhos é o espírito que não pode ver nada sem deseja-lo. É o espírito que crê que a felicidade se encontra nas coisas que pode comprar com o dinheiro e desfrutar com os olhos.

O sábio Salomão diz algo tremendo sobre a concupiscência dos olhos: “Não me neguei nada que os meus olhos desejaram; não me recusei a dar prazer algum ao meu coração. Na verdade, eu me alegrei em todo o meu trabalho; essa foi a recompensa de todo o meu esforço. Contudo, quando avaliei tudo o que as minhas mãos haviam feito e o trabalho que eu tanto me esforçara para realizar, percebi que tudo foi inútil, foi correr atrás do vento; não há qualquer proveito no que se faz debaixo do sol. Eclesiastes 2:10,11

O maior problema da concupiscência dos olhos é tentar fazer com que tentemos inutilmente preencher com coisas, pessoas e atividades o vazio que somente Deus pode preencher.

Os olhos são a lâmpada do corpo e as janelas da alma. Por eles entram os desejos. Eva caiu porque viu o fruto proibido. Ló viu as campinas do Jordão e for armando suas tendas para as bandas de Sodoma. Siquém viu Diná e a seduziu. A mulher de Potifar viu José e tentou deitar-se com ele. Acã viu a capa babilônica e arruinou-se, Davi viu Bate-seba e adulterou com ela e a espada não se apartou da sua casa.

Cuidado com os seus olhos. Se eles o fazem tropeçar, arranque-os, porque é melhor você entrar no céu caolho do que todo o seu corpo ser lançado no inferno.

A soberba da vida

A palavra grega usada aqui é alazoneia. Essa era uma expressão que os gregos usavam para falar da postura de algumas pessoas em atribuir a si mesmas qualidades tremendas que eles não tinham. O alazon era o indivíduo que falava com forasteiros (ou seja, que não lhe conheciam) sobre frotas de barcos que na verdade não tinham, de grandes negócios quando na verdade não tinham nada de valor. Fala de amizades com reis que lhe pedem conselhos, sem conhece-los, de sua mansão, quando mora em um casebre... É a tentativa de impressionar as pessoas com imagem, com propaganda e propaganda enganosa. A figura melhor seria a do fanfarrão...

Então a alazoneia, jactância ou soberba é a vanglória com coisas externas como riqueza, posição social, inteligência, poder, beleza, joias, carros, vestuário. É a ostentação pretenciosa. É gostar dos holofotes. É o desejo de brilhar ou de ofuscar os outros com uma vida luxuriosa.

Existem pessoas que que sacrificam a própria integridade para ostentar poder, posses e honras. Quem vive dominado pela soberba da vida, vive num esforço absurdo em impressionar a todos os que encontra com a própria fictícia importância. Vivem de aparência, na busca desenfreada por reconhecimento, por tapinhas nas costas, por bajulação...

O mundo passa...

Quem vive amando o mundo e o que nele há, precisa saber que o mundo vai passar e toda a obra que foi feita nessa perspectiva passa junto... O que fica? Aquele que faz a vontade de Deus.

Quando John Rockeffeler, o primeiro bilionário do mundo, morreu, perguntaram para o seu contador no cemitério: Quanto o Dr. John Rockeffeler deixou? Ele respondeu de pronto: Ele deixou tudo; ele não levou nenhum centavo...

Na verdade guardamos e levamos o que não vemos, o que não apalpamos... o amor com o qual amamos, a santificação que buscamos, a vida eterna que recebemos pela fé.

Uma pessoa mundana vive para os prazeres da carne, mas um cristão vive para as alegrias do Espírito. Uma pessoa mundana vive para as coisas que pode ver, segundo o desejo dos olhos, mas um cristão vive para as realidades invisíveis de Deus. O homem, portanto, que se apega aos caminhos mundanos está entregando sua vida ao que, literalmente, não tem futuro.

Então...

Não há meio termo: ou amamos o mundo ou amamos a Deus; Ou somos movidos pela carne com os valores do mundo, ou somos movidos pelo Espírito com os valores do Reino.

Precisamos orar para que o Espírito Santo encha nossas vidas, de intimidade com o Senhor (oração). Precisamos da Palavra, pois somos limpos pela Palavra (estudo e reflexão). Precisamos nos cercar de pessoas que nos ajudem nesse processo (discipulado).

Que o Senhor nos ajude,
Pr. Giovani Zainotte

Bibliografia:
1,2 e 3 João: como ter garantia da salvação - Hernandes Dias Lopes - São Paulo: Hagnos
Bíblia Shedd - São Paulo: Vida Nova

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quinta-feira, 2 de março de 2017

Um Senhor ou um Provedor?

“Os homens que sabiam que suas esposas haviam oferecido sacrifícios aos deuses, que nem deuses são, acompanhadas de um grande grupo de mulheres, com praticamente todos que viviam em Patros, no Egito, responderam a Jeremias: “Não há nada para nós no que você afirma ser a Mensagem do Eterno. Vamos continuar oferecendo sacrifícios à Rainha do Céu e derramar ofertas de bebida a ela, mantendo as tradições estabelecidas pelos nossos antepassados, nossos reis e líderes nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém, como nos bons tempos. Tínhamos uma vida boa na época, muita comida, prosperidade e alto padrão de vida. Mas, no momento em que paramos de sacrificar à Rainha do Céu e de derramar ofertas de bebida para ela, tudo desabou. Só temos enfrentado massacres e morte pela fome”. As mulheres complementaram: “Sim! É exatamente isso! Vamos continuar oferecendo sacrifícios à Rainha do Céu e derramando ofertas de bebida para ela. Nossos maridos não estão nos apoiando? Eles gostam quando fazemos os bolos na forma da deusa e derramamos nossas ofertas para ela”. Jeremias 44. 15-19

Quando for movido por minhas necessidades, sejam elas quais forem, estarei atrás de um provedor e não de um Senhor. Dessa forma, não importa quem, importa o que... Não importa sé é o Deus revelado nas Escrituras ou um ídolo, o que importa mesmo é o que receberei.

Essa lógica terrível move muitas pessoas hoje, incluindo igrejas e líderes religiosos que enchem suas “pregações” de ofertas, de promoções e as esvaziam de Evangelho... O resultado são pessoas que ficam até que uma nova demanda surja. Até que uma promoção melhor lhes seja oferecida. Até que um “produto” não lhes agrade mais. Então, outro provedor será procurado. “Mais é a rainha do céu!” Não importa:  “eu quero muita comida, prosperidade e alto padrão de vida”.

Ou buscamos um Senhor, que evidentemente é um provedor, ou nos venderemos na primeira oportunidade, declarando que não há nada para nós na Mensagem do Eterno e fazendo bolos para ídolos por aí...

Deus te abençoe,
Pr. Giovani Zainotte
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quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Um lugar perfeito...

“Quando eu era pequena eu pensava que a igreja era um lugar perfeito. Onde todos se davam bem e onde você podia ser o que quisesse. Só que a vida real é um pouquinho mais complicada que uma frase de para-choque. A vida real é difícil. Todos temos limitações e todos cometemos erros. Então nós todos temos muito em comum. E quanto mais tentarmos entender uns aos outros, mais diferenciados cada um de nós será. Mas temos que tentar. Não importa que tipo de pessoa você é. Tentem fazer da igreja, do mundo um lugar melhor. Olhem para dentro de si e percebam que a mudança começa em você, começa em mim, começa em todos nós.”

Bonito não é? Na verdade esta é a fala final da personagem Judy Hopps  na animação “ZOOTOPIA: essa cidade é o bicho”. Onde acima você leu IGREJA, leia-se ZOOTOPIA.

Assisti este desenho com meu filho Daniel. Na história, Judy Hopps sai do interior pra viver seus sonhos na metrópole ZOOTOPIA. Esta é idealizada como um lugar perfeito, onde você pode ser o que quiser, onde todos se respeitam e se amam... Mas Judy Hopps descobre através de decepções e muitas aventuras que ZOOTOPIA não era assim tão perfeita, descobre que ali haviam muitos problemas.

Ao ver, achei impossível não traçar um paralelo com a Igreja (assembleia, reunião de pessoas). Já ouvi muitas pessoas dizendo: “Essas coisas não eram para acontecer na igreja”. Mas descobrimos que acontecem. E por um simples motivo: eu e você estamos lá... Sejamos sinceros, não dá pra idealizar algum lugar ou alguma coisa perfeita em que eu e você façamos parte, dá?

No desenho, ZOOTOPIA não era perfeita pois os animais tinham seus instintos, suas falhas e limitações. Quando “entramos” em uma igreja trazemos nossas melhores características, nossos pontos fortes... mas também nossas mazelas, nossas limitações e nossos piores defeitos.

Mas Judy Hopps descobriu mais... Ela descobriu que a chave para que ZOOTOPIA fosse um lugar agradável para se estar, mesmo com tantos defeitos, era ela mesmo. Sim, fazendo sua parte, sendo melhor a cada dia ela contribuiria significativamente por uma realidade mais perto da idealizada. E não é essa a orientação de Deus para cada um de nós? “Não que eu já tenha alcançado tudo isso, ou seja perfeito; entretanto, vou caminhando, buscando alcançar aquilo para que também fui alcançado por Cristo Jesus...” ensinou-nos o Apóstolo Paulo.

Num dado momento da história, Judy Hopps precisou tomar uma decisão: Permanecer em ZOOTOPIA lidando com os problemas, mas desfrutando do que ela oferecia ou voltar para sua terra abrindo mãos de seus sonhos... Essa também é uma decisão que precisamos tomar a cada manhã. Se vale o conselho, “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns” Hb 10.25

Que Deus nos abençoe,


Pr. Giovani Zainotte
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sábado, 4 de junho de 2016

Marta ou Maria... Jo. 11

O capítulo 11 de João nos é bem conhecido. Lázaro fica enfermo, Marta e Maria mandam uma mensagem a Jesus na expectativa de que Ele venha e cure seu irmão. Mas não deu tempo... Lázaro morreu e quando Jesus chegou, ele já estava enterrado há quatro dias.

Jesus tinha um relacionamento bem próximo com esta família, algo notório (Jo. 11.36). Podemos então perceber que Ele conhecia bem aos três: Lázaro, seu amigo que estava morto, e as irmãs Marta e Maria. Já havia se hospedado na casa deles. (Lc. 10.38-42)

Jesus chega a Betânia. A partir daqui alguns pontos me chamam a atenção e eu partilho com você:

1.      Marta sai ao encontro de Jesus enquanto Maria permanece sentada (verso. 20)

Fazendo um paralelo com a história que encontramos em Lc. 10, quando Marta se ocupa em servir o jantar enquanto Maria não quer sair dos pés de Jesus, percebemos não só facetas diferentes da personalidade de cada uma (é fato que somos diferentes, reagimos de forma diferente a situações iguais), mas, creio que podemos visualizar o nível de relacionamento e fé de cada uma delas em relação a Jesus.

Penso que Marta sai, porque não controla sua ansiedade, suas emoções. Sai, porque não sabe descansar em Deus. Sai porque acha que pode resolver seus problemas, suas crises com suas mãos, com suas ações, com seu esforço!

Marta fica sentada, porque sabe que Jesus vai chegar até ela, sabe que não estará só, no momento certo Ele chegará! Marta fica sentada porque sabe que se Jesus não trouxer o milagre, trará o consolo, a força e a direção. Marta fica sentada porque tem a convicção de que Jesus não chega atrasado, não perde o controle de nenhuma situação.

2.      Jesus ouve o mesmo relato de Marta e de Maria, mas tem reações muito diferentes

No verso 21 e no verso 32, Marta e Maria dizem a mesma coisa a Jesus: “Senhor, se estiveras aqui, meu irmão não teria morrido”. A frase foi a mesma, mas o resultado, completamente diferente...

Com Marta, Jesus não expressa nenhum sentimento, dá uma resposta importante mas objetiva: “Teu irmão há de ressurgir”. A sensação que tenho é que Jesus estava andando e no caminho falando, parece que tem outra coisa na cabeça... (já conversou com alguém que nitidamente está com a cabeça em outra coisa). E digo isso, pois imediatamente, Jesus pergunta por Maria... (verso 28)

Quando Maria chega, diz a mesma coisa de Marta, mas o resultado... Diz-nos o texto que Jesus “agitou-se no espírito e comoveu-se”. Hernandes Dias Lopes diz que o verbo usado literalmente quer dizer “bufou por indignação” usado quando alguém queria demonstrar um total desprazer. Diz também que Jesus chorou. E por último relata que ele foi para a ação... “onde o sepultastes?”.

Por que a diferença, se elas disseram a mesma coisa? Para mim a explicação é simples e clara. Na boca de Marta, o relato parecia reclamação, queixa, murmuração, na boca de Maria pareceu adoração...

E por que? Porque Marta sai esbaforida, descontrolada, na saída da cidade e despeja suas reclamações. Maria espera Jesus, sai, e antes de falar qualquer coisa, “lançou-se-lhe aos pés”.

Existem coisas que não são certas ou erradas em si mesmas, mas o local, o momento, a forma como são feitas é que definem se foi acertado ou não aquilo que fizemos. Quantos exemplos poderíamos dar desse fato. Algo que precisava ser dito, mas não no momento que dissemos, ou no tom que falamos. Alguma atitude que precisava ser tomada, mas não na hora em que a tomamos, etc.

Aproximar-se de Jesus é certo, bom necessário... mas existe uma forma adequada pra que isso seja feito. Hebreus 11.6 por exemplo nos diz: “porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.” O crer que ele existe não fala simplesmente na certeza mental de que Deus é real, mas também ao fato que saber quem Ele é, como Ele pensa, o que Ele gosta, enfim, conhece-lo, pois são esses que poderão dar o passo seguinte: busca-lo e receber recompensa...

Outro exemplo de coisas que a princípio ninguém poderia dizer, até verificar como estava sendo feita... “O Senhor diz: "Esse povo se aproxima de mim com a boca e me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. A adoração que me prestam só é feita de regras ensinadas por homens.” Is. 29.13. Primeiro, o povo estava se aproximando do Senhor, o que seria maravilhoso, se fosse algo que expressasse o desejo do coração deles, mas diz-nos o texto que era “com a boca”. Segundo vemos que o “honravam”. Honrar alguém é certo. O Senhor que ser honrado por nós. Mas quando isso não parte do nosso coração torna-se algo errado. No texto honravam ao Senhor com lábios, mas o coração estava distante, assim seu ato de honrar se tornava inútil, vil, errado. Adoravam também, em outra versão, temiam, e isso é fantástico, mas esse temor ou essa adoração não passavam dogmas, litanias e liturgias decoradas, ensaiadas, sem amor, sem convicção.

Os fariseus viviam a ostentar as leis, e o problema nunca foram as leis. A questão é que eles não conseguiam visualizar o espírito por trás das leis. Por isso a lei para eles matavam e continuam a matar tanto ainda hoje, pois não davam espaço ao Espírito para que Ele trouxesse e traga vida. Regras, leis tem seu lugar e nos ajudam na caminhada, mas legalismo mata!

Maria aparece três vezes nos Evangelhos. Nas três vezes, ela está aos pés do Senhor. Na primeira vez, estava aos pés do Senhor para aprender (Lc. 10.39). Aqui, está aos pés do Senhor para chorar. Finalmente, ela está aos pés do Senhor para agradecer (Lc. 12.3). Por isso, Jesus a chama, por isso sua fala O comove, por isso ela é elogiada e não exortada como desejava Marta ao hospedarem Jesus. Por isso sua atitude ao derramar um perfume tão caro não é censurada por Jesus!

3.      Marta dá um show de religião

Desde o início dessa história, Marta demonstra ser uma profunda conhecedora da religião. Ela fala na ressurreição do último dia (verso. 24); fala do Cristo esperado pelos judeus (verso. 27); ela fala dos quatro dias de Lázaro morto (além do fator claro de que um morto de 4 dias começa a exalar mau cheiro, havia uma opinião geral no judaísmo que a alma deixava o corpo três dias após a morte).

Existem pessoas que amam uma igreja, amam rituais, ainda que sejam repetitivos e mecânicos, amam regras, ainda que nem as consigam seguir com exatidão. Existem pessoas que são especialistas na rica história do cristianismo, da sua denominação e de tantas outras coisas, mas não conhecem o Deus que moveu tudo isso. Existem aqueles que conhecem a Bíblia com detalhes, mas são secos, infrutíferos... Como expressou Jó, muitos de nós conhecemos a Deus de ouvir falar (e isso não é difícil hoje, ouve-se de Deus na TV, no rádio, na internet...), mas nunca O vimos... Como é fácil perceber “metodistas tradicionais” falando com riqueza de detalhes da experiência do coração aquecido de John Wesley sem nunca ter experimentado o mesmo em seu próprio coração!

Mas a religião de Marta morreu junto com Lázaro. Não havia mais o que fazer. Religião é assim, cheia de limites... Nos ajudam até certo ponto.

Não creio ser coincidência que não tenha uma fala de Maria concordando com Marta, questionando a Jesus... Se Marta dava show de religião, Maria dava show de comunhão! Talvez se em Lc 10.38ss Marta não tivesse passado tanto tempo agitada de um lado para outro, teria aprendido o que Maria aprendeu ao permanecer assentada aos pés do mestre! Ela não questiona, porque sabe quem está dando a ordem. A esse não se questiona, não se duvida. Ele não é limitado pela ordem natural das coisas, Ele faz o que quer, na hora que e com quem quiser! Ele é Jesus...

Conclusão:

Reconheço que é bem mais fácil ser como Marta. Decorar regras, agir movido por seus impulsos e preencher nosso tempo com ativismos inúteis nos ajudam a mascarar as crises da nossa alma, a viver na ilusão de que está tudo bem, a aplacar nossa consciência com o cumprimento de meia dúzia dogmas religiosos... Mas uma hora Lázaro morre! E a ilusão dessa vida superficial cai por terra.

Que o Senhor nos dê um coração semelhante ao de Maria. Que escolhe a melhor parte, que sabe que uma coisa só é necessária, que adora, que sabe como se aproximar, que sabe como e quando chorar, que ama a Jesus!

Deus nos abençoe,

Pr. Giovani Zainotte
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quinta-feira, 19 de maio de 2016

OPORTUNIDADE NÃO SE PERDE... Lc. 7. 36-50

“Há três coisas que não voltam atrás; a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida”. Provérbio chinês

Um homem teve uma oportunidade única: ter Jesus jantando em sua casa. Jesus era cercado por multidões. Dificilmente alguém conseguia ter um tempo tranquilo com Jesus, sempre havia empurra empurra, sempre muitos queria falar com ele. Esse homem teve uma chance de ouro! Jesus estaria a disposição dele e de sua família de forma exclusiva!

Mas a Bíblia nos mostra que ele desperdiçou a oportunidade, jogou-a fora. Ao final do jantar, sua vida era a mesma, sua casa não havia experimentado do poder de Deus, sua vida não havia sido transformada, nenhum milagre ele tinha para contar, nenhuma história marcante, nada...

Infelizmente existem pessoas que domingo após domingo saem dos cultos do mesmo jeito, da mesma forma. Nenhuma mudança, nenhum testemunho. Veem vidas sendo transformadas a sua volta, mas continuam do mesmo jeito. Vê pessoas sendo abençoadas, mas suas vidas continuam as mesmas.

Por que Simão não aproveitou a grande oportunidade de sua vida?

1.      Porque a motivação do convite estava errada.
Ele não havia reconhecido quem era Jesus. Ele não estava disposto a abrir o coração para Jesus. Ele não desejava adorá-lo. Sua intenção era pegar algum erro, alguma falha no controverso Jesus para gabar-se perante os demais fariseus de haver desmascarado o líder de sucesso daquele momento.

Muitos saem de cultos como este piores do que entraram, porque vieram com a motivação errada.
·         Alguns vieram pelo mero costume, mera formalidade. Desde crianças vêm aos domingos na Igreja;
·         Alguns vieram à presença de Deus da mesma forma que vão a um mercado: atrás de algum produto que estejam precisando;
·         Alguns estão aqui focados em tantas coisas que não conseguem enxergar o Senhor;
·         Alguns vieram se encontrar com muitas pessoas, menos com Jesus!

2.      Porque ele era arrogante, soberbo, não estava disposto a se humilhar
Interessante que quando Simão, o fariseu vê a mulher, enche a boca para classificar-lhe: “pecadora”. Sua postura coloca a mulher a km de distância dele. Ele era santo, bom, respeitado... ela, uma prostituta, alguém que nem ali deveria estar...

É impressionante como Jesus resiste a este tipo de postura! É impressionante como temos facilidade em nos achar melhores do que os outros. Somos velozes em apontar dedos, em descrever falhas, em encher listas de pecados dos outros, mas morosos em visualizar e reconhecer nossas próprias mazelas.

Mas a Bíblia deixa claro que:
·         Enquanto Naamã não se despir de sua farda e de suas medalhas e expor sua lepra, não será curado!
·         Enquanto Davi não se reconhecer como o homem que ele mesmo sentenciou a morte não será perdoado!
·         Enquanto Jonas não confessar que por causa dele o barco está afundando e for lançado ao mar a tempestade não vai cessar!

Não há como alcançar o favor do Senhor sem reconhecimento de quem nós realmente somos, sem nos humilharmos e clamarmos por sua Presença!
3.      Porque ele não honrou a Jesus
* Algumas cortesias são esperadas pelos hóspedes hoje em dia: cumprimentos de mãos, beijos na face, uma palavra de bem vindo, a indicação e um lugar para sentar;

• Algumas cortesias eram esperadas pelos hóspedes naquele tempo: um beijo de saudação, água para lavar os pés e óleo para ungir a cabeça.

Simão não fez nada disso a Jesus! O desonrou de forma escandalosa. Não lavou seus pés, não lhe deu um beijo, não lhe ungiu com óleo.

Com tristeza percebo que muitas vezes não honramos a Jesus. Honrar é reconhecer quem alguém é, o que ela representa e o que ela merece.

Entregamos restos a Ele, seja no que tange a questão financeira, seja o resto de nosso vigor físico, seja a sobra do tempo de nossa agenda, enfim... o que sobrar entregamos ao Senhor! Isso o desonra! E quem não honra ao Senhor perde oportunidade!

4.      Porque seu coração era religioso
A religião é uma grande praga. Digo isso porque ela ou elas tentam enquadrar Deus em suas regras e dizer como Deus pode e deve agir. A Bíblia não nos ensina isso. Ela ensina que somos nós que nos moldamos ao Senhor, quem adaptamos nossos sonhos, vontades, interesses a Ele e não o contrário.

A religião exclui, faz diferenciação, olha por cima, valoriza aspectos humanos (dinheiro, beleza, habilidades), Deus valoriza o coração!

A religião castra, corta, limita, diminui.
·         Por isso a religiosa Mical escandalizou-se com o apaixonado Davi e sua dança de adoração, pois religioso se incomoda com adorador! Resultado: ficou estéril, pois religião não produz vida!
·         Por isso os fariseus ficaram irritados quando Jesus curou no sábado. Pois religião não produz cura.
·         Por isso os fariseus se irritaram quando Jesus libertou pessoas de demônio. Pois religião não liberta ninguém;
·         Por isso os fariseus se irritaram quando ele perdoou pecados. Pois religião funciona a base de culpa!


“Aprendi que as oportunidades nunca são perdidas; alguém vai aproveitar as que você perdeu.” William Shakespeare

Essa frase encaixa-se perfeitamente nessa história. Pois se Simão desperdiçou a maior oportunidade de sua vida, uma mulher surge para agarra-la com unhas e dentes! Ela faz tudo ao contrário do fariseu:

1.      Ela anseia pelo encontro com Jesus
A ponto de não temer ser enxotada pelo fariseu, de se arriscar, de tentar, de não se importar com os adjetivos que certamente ouviria.

2.      Ela sabe quem ela é... se humilha
Tanto que não chega pela frente, se aproxima por trás, aproveitando que a forma de sentar costumeira naquele tempo, fazia com os pés da pessoa que estava à mesa ficassem para trás. Não tem coragem de ir pela frente, sente-se indigna de olhar Jesus nos olhos...

3.      Ela honra a Jesus
E não faz só o que Simão deixou de fazer, vai além:
·         Lava os pés de Jesus com lágrimas (quebrantamento). Quantos de nós já lavamos os pés de Jesus com lágrimas?
·         Enxuga com os cabelos (humilhação) – Cabelo era e é a honra da mulher.
·         Não cessa de beijar seus pés (honra) - Ela não está preocupada com opiniões, ela quer mais de Jesus!
·         Unge-o com bálsamo (adoração) Em contraste com o óleo de oliva, que era muito comum, um frasco de unguento valia até 300 denários (que representava um dia de trabalho de um lavrador)

O final da história? Um Simão aborrecido, remoendo suas leis e criticando a Jesus e seus métodos, azedo... Contrastando com uma mulher leve, sem o peso da culpa e tendo uma vida nova, pra sempre transformada!


E você vai perder a oportunidade que recebe de Jesus hoje?

Rev. Giovani Zainotte
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Não cessavam de ensinar e de pregar. At. 5. 33-42

O capítulo 5 do livro de Atos é muito interessante. Desde a história de Ananias e Zafira, que demonstram a seriedade do Evangelho que estava sendo pregado, passando pelos milagres operados pelos apóstolos, a sombra de Pedro curando e culminando com as perseguições sofridas por estes valentes do Senhor.

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quinta-feira, 28 de abril de 2016

O Coração Aquecido

Em Maio a Igreja Metodista costumeiramente celebra aquilo que chamamos do “DIA DO CORAÇÃO AQUECIDO”. Esta é uma alusão a experiência que o Rev. John Wesley teve no dia 24 de maio de 1738. Uma experiência com o Espírito Santo, para muitos uma experiência de batismo com o Espírito Santo, que mudou a vida do já pastor, pregador itinerante, missionário, John Wesley. 
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